Bastardos Inglórios

“Eu acho que essa é minha obra-prima.” Continue lendo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

por Gustavo Grandino Gobbi em 13 de outubro de 2009 às 13:00.

Todo mundo já conhece Quentin Tarantino, então acredito que apresentações e contextos não serão necessários aqui, o que me permite ir direto ao ponto: “Bastardos Inglórios” é o melhor filme do diretor desde “Jackie Brown”.

Que se danem as convenções: “Bastardos Inglórios” provavelmente É o melhor filme do diretor.

Pode parecer um exagero a afirmação acima, principalmente para os fãs de “Pulp Fiction” ou de “Kill Bill”, os trabalhos mais populares do diretor, mas acredito que, assim como a última fala do filme, esta seja a obra-prima de Tarantino. O diretor quebra as convenções, a barreira entre os gêneros e tabus aqui.

Basicamente temos duas narrativas, as duas se passam na França ocupada pelos nazistas e o primeiro arco é a história de Shosanna (Mélanie Laurent), judia que escapa das garras do “Caçador de Judeus”, o Coronel da SS Hans Landa (Christoph Waltz), e acaba encontrando abrigo e uma vida nova num cinema em Paris. A segunda trama é a história dos Bastardos do título, um grupo de soldados americanos e judeus sob o comando do Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) que vai a França para espalhar o terror entre os nazistas. Naturalmente as duas tramas se cruzam, mas falar mais é estragar as surpresas do filme.

O filme é dividido em cinco capítulos, mais ou menos da mesma maneira que “Kill Bill”, e todas as cenas são construídas de maneira a deixar a tensão quase explodindo na tela.

Ao contrário do que o trailer indica “Bastardos Inglórios” não é um filme de guerra propriamente dito. As cenas de ação são poucas e esparsas. Embaixo de todo esse verniz de filme de “homens em uma missão”, a atenção de Tarantino está com os diálogos, quase todos em francês ou alemão, e a construção da cena, já que o filme basicamente se passa todo dentro de ambientes fechados, como a casa do fazendeiro francês, ou o cinema no final. E apesar do foco principal das campanhas de marketing tenham sido de Brad Pitt e seu grupo de soldados judeus, os protagonistas do filme são Shosanna e Landa. O último, aliás, rouba todas as cenas, tem os melhores diálogos e um ator pouco conhecido que faz miséria com o papel. Fiquem de olho em Christoph Waltz nos prêmios do ano que vem.

Falar de Tarantino é falar também de trilhas-sonoras, e o diretor escolheu um punhado de músicas do mestre italiano Ennio Morricone para conduzir as cenas. Além das óbvias referências ao western spaghetti, o diretor usa de maneira surpreendentemente eficaz David Bowie, numa das melhores cenas do filme.

Mas “Bastardos Inglórios” tem um grande problema: ele acaba. Apesar de passarmos um pouco mais de duas horas e meia com todos esses personagens, o filme nos deixa querendo mais. Mais tempo com os Bastardos, mais tempo com Shosanna, com Landa, com todos aqueles personagens maravilhosos e tão bem construídos por Tarantino. Queremos saber o que aconteceu nos três anos entre um capítulo e outro que fez Landa odiar tanto seu apelido não oficial. Queremos saber mais sobre Shossana e Marcel, mais sobre os feitos do soldado Fredrick Zoller, mais tempo com os Bastardos e Raine, mais cenas com Hittler e Goebbels, mais do General King Kong… Enfim, nos deixa querendo passar mais tempo com esses personagens fantásticos.

E o fato desse filme me deixar com essa sensação só reafirma meu pensamento de que “Bastardos Inglórios” é, realmente, uma obra-prima.

Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, EUA, 2009)
Direção: Quentin Tarantino
Elenco: Brad Pitt, Mélanie Laurent, Christoph Waltz, Diane Kruger, Eli Roth
Em cartaz desde 09/10/09

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...