Salve Geral
Filme é o indicado do Brasil para concorrer a uma vaga no Oscar em 2010. O problema é que ele é péssimo. Continue lendo
por Gustavo Grandino Gobbi em 29 de outubro de 2009 às 10:08. Última alteração em 29 de outubro de 2009 às 10:18.
Lúcia (Andréia Beltrão) é uma viúva, mãe de Rafael (Lee Thalor), que tem a vida virada de cabeça para baixo quando o filho comete um crime vai preso. Ela acaba conhecendo uma advogada chamada Ruiva (Denise Weinberg), que tem contatos com o PCC, e começa a trabalhar para a organização criminosa para conseguir dinheiro para ajudar o filho, isso à sombra dos ataques da facção criminosa em 2006, na cidade de São Paulo.
“Salve Geral” é o perfeito exemplo de tudo o que está errado no cinema nacional recente. Diálogos horrorosos, jogados ali para causarem o maior impacto possível no espectador, trama rasa e mal desenvolvida, atores totalmente perdidos – até gente do naipe de Beltrão não consegue fazer muita coisa com o roteiro horrível de Sérgio Rezende e Patrícia Andrade- e uma produção péssima. E o melhor de tudo: é o representante brasileiro para tentar uma vaga no Oscar em 2010.
Sergio Rezende, que também dirige o filme, não tem o currículo mais confiável do mercado. Dirigiu “pérolas” (e uso pérolas no sentido mais irônico possível) como “Zuzu Angel” e “Guerra dos Canudos”, filmes de qualidade bastante duvidosa.
Seria até possível notar semelhanças entre “Salve Geral” e “Zuzu Angel”, já que os dois falam de mães que fazem o impossível para recuperar o filho, talvez um assunto que seja de muito interesse a Rezende, mas a qualidade das duas películas não dá muita margem à análise.
Mas se em “Zuzu Angel” você ainda tinha uma ótima performance de Patrícia Pillar, neste seu novo filme o roteiro aniquilou toda e qualquer chance de uma atriz tão talentosa como Andréia Beltrão atuar. Os diálogos são todos forçados, alguns sem muito sentido, estando ali apenas para que o espectador se sinta impressionado. A direção parece, por vezes, amadora, com ângulos duvidosos. Dá-se a impressão que o diretor de fotografia era um estagiário que chamaram ali na hora. Enfim, um verdadeiro desastre. E se você pensa que eles iriam abordar mais o assunto do PCC, desenvolver melhor a facção, ou pelo menos explicar, esqueça. Temos umas duas cenas de ataques e olhe lá.
Silvio Da-Rin, secretário do Audiovisual e um dos responsáveis pela escolha do filme disse que “Salve Geral” foi escolhido por “sua elevada qualidade técnica e artística, o alto valor de produção investido no projeto e a contemporaneidade do tema abordado.” O problema é que o filme não cumpre nenhum desses três requisitos. E lá vamos nós mais uma vez passar vergonha…
Salve Geral (idem, Brasil, 2009)
Direção: Sergio Rezende
Elenco: Andréia Beltrão, Lee Thalor, Denise Weinberg
Em cartaz nos cinemas desde 02/10/09
