Disco Forever
Vapor! É ela. Cauê entrevista Leiloca Pantoja. Continue lendo
por Cauê Cardoso em 01 de junho de 2009 às 11:15. Última alteração em 01 de junho de 2009 às 14:03.
Leiloca Pantoja é sinônimo de disco music, do que há de mais sofisticado e divertido na noite paulistana. Sou suspeito. Tenho um amigo que me disse: “o som que a Leiloca toca é a sua cara”. É mesmo: sou fã! Foi no ano passado que dancei pela primeira vez ao som de músicas que já não imaginava que pudesse ouvir como “I Want Your Love”, Atlântida e outras tantas que pareciam condenadas ao fundo do baú dos nostálgicos. Mas quem acha que vai ouvir somente as “famosas” se engana: a mistura é incrível, de edits arrasadores de Todd Terje (Magic “Number”, de Herbie Hancock), remixes insuperáveis de Larry Levan (são tantos, impossível indicar um só), passando por produções para lá de modernas de Cerrone (quem pode ouvir sem espanto “Supernature” que parece vir de um futuro distante), músicas inusitadas como “African Love” de Gepy Gepy até sucessos retumbantes como “Everybody Dance”, da banda Chic. Na entrevista que fizemos por e-mail, Leiloca fala um pouco sobre quem é quem na disco, quais as músicas indispensáveis e mostra porque todos querem embarcar na boogie wonderland.
Como nasceu Leiloca Pantoja? Ouvi dizer que ela é de Aquário…
Leiloca nasceu do encontro de Elizabeth Taylor, Donna Summer e Rita Lee num Disco Club luxuoso dos anos 70, ao som de Larry Levan e performance das Frenéticas! Tudo isso em pleno verão tropical!
Leiloca sempre foi deejay? Também ouvi dizer que ela era boateira e daí acabou virando deejay…
Sempre gostei da noite, shows de travestis e transformistas, dance music e salto alto! Das pistas para as cabines de DJ foi um caminho natural, principalmente pela minha paixão e amor à Disco Music!
Como você escolhe o figurino para tocar? O que não pode faltar numa produção 70′s?
Escolho a roupa de acordo com a festa, o clube, a noite… Às vezes gosto de usar camisetões, outras prefiro blusões, mangas morcego e, claro, muitos acessórios, principalmente braceletes e pulseiras! Mas procuro sempre ficar confortável para tocar nas festas!
Tocar disco music em uma época de idolatria à música eletrônica é um desafio? Qual é o espaço da disco hoje em dia?
A Disco é o começo de tudo, da dance music às produções feitas especialmente para as pistas. Tudo o que é feito hoje para tocar em clubes noturnos deve-se à Disco! Hoje, Disco, Nu-Disco, Space e suas vertentes já estão consolidadas na música eletrônica, assim como Tecno, Electro e House! Há sites especializados em produções de ontem e de hoje, e milhares de sites e festas em todo o planeta! Disco Forever!
Seus sets são recheados de disco e suas vertentes. O que representa a disco music para você? Desde quando você se interessa por disco?
Toco Disco clássica, Ítalo Disco, House, Nu-Disco, Acid, Disco-Funk e versões Dub! Misturo produções do passado e de hoje! Sou apaixonada por Disco desde criança, cresci ouvindo suas coletâneas, bandas e artistas! E é a trilha-sonora que eu amo ouvir, tocar e dançar!
A internet abriu novas possibilidades para os deejays? Você pesquisa bastante na internet?
A Internet é uma ferramenta maravilhosa para pesquisa de músicas, há muitas produções que não acho em lojas e encontro na Internet! Há também milhares de blogs, sites para compra de vinil e de arquivos em MP3 que são excelentes para DJs!
A disco é feita essencialmente por músicos de “carne e osso”, e isso quer dizer que as batidas da música variam muito de uma para a outra. É difícil mixar disco? Como você monta os seus sets? Você prefere mixar em CD ou LP?
A Disco começou com bandas e orquestras e depois misturou-se com a música eletrônica, lá pelo final dos anos 70! Mixar a Disco clássica, a orgânica, é mais trabalhoso pelo fato de ser feita por instrumentos e não por programas de batidas seqüenciadas! Monto meus sets de acordo com a festa, o clube, a noite, e sempre procuro dar um clima festivo na seleção de músicas! Tanto faz tocar com CD ou Vinil, mas toco mais com CD!
O estilo dos seus sets varia de acordo com os clubes em que você toca? Como tem sido a recepção do público?
Cada noite é diferente, e há festas e clubes que toco mais músicas obscuras e outras em que toco produções mais conhecidas! E um dos prazeres de ser DJ é tocar junto com a pista, sentir a resposta de uma música nova que solto, um classicão na hora certa, uma produção diferente em tal hora…
Vi uma foto na qual aparecia – assim, de leve – um álbum do Larry Levan… Quais são os produtores/deejays da era disco que você considera indispensáveis?
Larry Levan é o pai de todos os DJs e o mestre dos mestres! Eu AMO! Ouvi-lo é uma aula de como fazer uma boa produção paras as pistas e também de como conduzir uma pista de dança! Além dele, gosto muito do François K., David Mancuso, Tom Moulton, Walter Gibbons, Vincent Montana Jr., Cerrone, Arthur Russel e, claro, Greg Wilson + Derrick Carter e Frankie Knuckles, estes dois últimos da House! Dos novos, gosto do Daniel Wang, Todd Terje, Mark E. e Dimitri From Paris (este último não tão novo assim!).
A primeira vez que te vi nas pick-ups você estava com uma camiseta da Donna Summer. Ela é para sempre a rainha disco?
Donna Summer é uma das maiores Divas da Disco, e uma das maiores cantoras norte-americanas. Voz poderosa, sexy, deliciosa…. Seus discos do final dos anos 70 produzidos por Giorgio Moroder são moderníssimos, obras primas da Disco e da música feita para as pistas! I Love Donna Summer!
As dez mais mais na pista da Leiloca
- Give Me Love – Cerrone;
- I Want Your Love – Chic;
- Situation – Yazoo;
- Dancing Therapy – International Music System;
- Move – John Rocca;
- I Feel Love – Donna Summer;
- It Looks Like Love – Montana Orchestra featuring Goody Goody;
- Que Tal America – Two Man Sound;
- African Disco Power – Atlantic Conveyor Re-Work;
- Atlântida – Rita Lee.
Glossário Disco por Leiloca Pantoja
Disco:
Dance Dance Dance (Yowsah, Yowsah, Yowsah) (1977) – Chic;
Dancer (1979) – Gino Soccio.
Space Disco:
The Force (Do You Have) – Part 1 & 2 (1978) – Droids;
War Dance (1978) – Kebekelektrik.
Nu-Disco
Codependency (2008) – In Flagranti;
Left Field Boogie (2009) –Free Disco.
