Nem tudo foi mais do mesmo!
Para quem reclamou de falta de diversidade em plena semana da diversidade. Continue lendo
por Adriano Zanni em 03 de julho de 2009 às 17:34.
Na semana do Orgulho Gay, que já passou (é bem verdade!), muito se discutiu sobre a não participação dos trios elétricos das casas noturnas paulistanas durante a realização da Parada na Avenida Paulista, que levou mais de três milhões de pessoas às ruas. O discurso dos empresários, quase uníssono, seria de que o evento se descaracterizou, perdeu sua razão de ser e objetividade e nada agrega em termos de valor à imagem de suas badaladas casas noturnas. Talvez outra grande verdade.
Para aqueles que ainda engrossam o coro, alegando que a semana tornou-se um amontoado de festas nas quais se vê “mais do mesmo”, fomos ao Terraço Daslu, catedral brasileira do consumo de luxo, conferir de perto a primeira edição de uma festa que prometia ser o crème brûlée de toda a programação, recheada de celebridades, personalidades do meio, gringos, fashionistas e tudo aquilo que há de mais antagônico ao que se viu no desfile de domingo.
A primeira festa eletrônica nos cômodos do palacete de Eliana Tranchesi realmente diversificou, em todos os sentidos. Começou no dia 11 de junho, foi até altas horas do Dia dos Namorados, embora a pré-disposição das pessoas no evento seguisse a mesma cartilha de conduta das noites gays de São Paulo, ou seja, mandamento número um: é dispensável flertar no ambiente! Mas, se acontecer, ok!
Romantismos à parte, o evento ficou lotado, mesmo com o preço salgado (R$ 200,00 o convite na hora. Sim, a intenção era elitizar o público). No hall, fomos recebidos pelos competentes e talentosos sócios da grife paulistana “2 Meninos”, anfitriões da noite inusitada que pode não ter fervilhado o caldeirão como alguns esperavam, mas que sem dúvida colaborou para levantar discussões a respeito da mesmice em que anda o cenário gay paulistano. Confira a entrevista exclusiva.
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
- Festa VIP (Foto: Divulgação)
Primeiramente, gostaria de saber como ocorreu a iniciativa de promover uma festa “mais elitizada” durante a Semana do Orgulho Gay. Ou seja, de onde teria surgido a ideia? O que levou à escolha do Terraço Daslu como local para sediar o evento?
A ideia foi nossa, dos “2 Meninos” (Claudio Rahal e Glen Finch), com a intenção de promover um evento para que as pessoas tivessem realmente um referência de bom gosto, decoração e tratamento diferenciado de tudo que temos observado normalmente. Na verdade, quisemos fazer um evento para fortalecer a marca 2 Meninos e, como a Semana do Orgulho Gay reúne em São Paulo pessoas do mundo todo, aproveitamos este momento para realizar a nossa festa no Terraço Daslu, afinal é um lugar de requinte e bom gosto para poder concentrar todas estas pessoas em um único lugar.
Há tantos anos envolvidos com o cenário gay paulistano e circulando também por diversas festas do gênero em outras localidades, como vocês analisam a noite gay contemporânea? Falta pluralidade em termos de opções de festa e eventos?
Exatamente. Sentimos falta de eventos como o nosso. Na VIP pudemos perceber que, em primeiro momento, os convidados ficaram surpresos com o espaço e com a decoração, depois entraram no clima de uma festa com requinte e glamour. Normalmente, as festas que acontecem têm um mesmo perfil, não trazendo muitos diferencias. Eventos como a VIP, acontecem somente em festas particulares como casamentos, aniversários ou festas de empresas. Foi muito bom trazer este novo conceito para o público que conseguimos atingir.
O que vocês pensam sobre a iniciativa de muitas casas noturnas não terem aderido à Parada do Orgulho Gay em si, retirando o apoio financeiro ao evento e seus trios elétricos das ruas?
Acreditamos que as casas noturnas focaram mais nos seus próprios negócios.
Mas, como vocês enxergam a Parada Gay? Realmente, o evento se tornou algo banalizado, voltado à farra e ao estilo carnavalesco de ser ou vocês acreditam que sempre foi dessa forma?
Acreditamos que serão necessárias algumas mudanças para o evento em si, afinal é o maior evento do mundo que acontece em São Paulo e merece ser bem planejado para que no próximo ano não aconteça nada que possa criar efeito negativo.
Na festa promovida no Terraço Daslu, havia muitos estrangeiros e turistas advindos de outros estados do país? Como vocês trabalharam para atrair esse público?
Fizemos uma divulgação nacional do evento e contamos com apoio de muitos sites e blogs do mundo todo para divulgação da festa. A presença de estrangeiros foi considerável.
Dá para ter lucro com uma festa dessa? Ou ela existe mais para se fazer um “social”?
Na verdade, é um evento que tem custos altíssimos até mesmo por ser em um dos lugares mais elegantes do Brasil. Pudemos comprovar isso na pele. O Cláudio atua como produtor de eventos há mais de 20 anos e já realizou festas em grandes capitais e cidades. O espaço do Terraço Daslu por si só já tem uma grande vantagem, pois sua arquitetura e decoração só precisam de complementos, como no caso da Festa VIP em que acrescentamos som, iluminação, decoração e parcerias com empresas do segmento de festas e bebidas. Esta primeira edição da festa superou as expectativas em lucratividade e número de convidados.
Quais os planos ainda para este ano? Vocês pretendem organizar outros eventos?
Estamos em negociação para fazer ainda neste ano mais uma Festa VIP. Mas, não podemos adiantar nada ainda.
Como está a grife “2 meninos”? Qual o foco do trabalho neste momento e como vocês analisam o mercado? A crise está afetando o setor?
A 2 Meninos trouxe para São Paulo de volta o conceito de loja multimarcas. O objetivo disso é para que pudéssemos realmente ter este diferencial no mercado. Os clientes que entram na loja ficam surpresos com o espaço, pois ele remete a uma casa ou até mesmo a um closet. Na verdade, o Brasil está super acostumado com crises. Mas, claro que esta que estamos passando afeta de alguma maneira todos os setores, porém, no caso da loja estamos preparados para enfrentar com bons preços e qualidade dos produtos que temos.
Há planos de expansão para a grife? Vocês poderiam adiantar algum?
Estamos com dois projetos para o ano de 2009 incluindo duas novas lojas, em Ribeirão Preto e outra na França, em Cannes, com o apoio dos investidores. Mas, tudo ainda são planos.
Serviço – Loja 2 Meninos
Alameda Lorena, 2122, telefone: (11) 3062 8943












