A difícil tarefa de mensurar a comunidade LGBT
O preconceito não colabora com a realização de pesquisas eficientes sobre o público homossexual. Continue lendo
por Redação em 01 de julho de 2009 às 11:47. Última alteração em 01 de julho de 2009 às 11:48.
No Brasil não existem estatísticas exatas e não há um Censo que calcule corretamente a quantidade de homossexuais no Brasil. Algumas estatísticas apontam cerca de 10% dos brasileiros sendo homossexuais, mas não há uma apuração utilizando métodos científicos e critérios precisos de pesquisa.
Uma pesquisa séria e abrangente poderia solucionar a questão, mas é barrada por outro problema: o preconceito. Muitos homossexuais ficariam com medo de assumir a sua homosexualidade em uma pesquisa, afetando negativamente a mensuração de dados reais.
O armário ou armadura?
Ficar dentro do armário é uma proteção, principalmente em um país onde não há leis que protejam os homossexuais e a ignorância da sociedade colabora com atitudes preconceituosas – mesmo que não seja justificável.
Muitos se protegem na armadura do armário com medo da humilhação e violência, mas também para fugir de rótulos e estereótipos impostos pela sociedade.
Alguns vivem personagens, aparecem com parceiros de outro sexo apenas por fachada e jamais chegarão a assumir sua sexualidade em uma pesquisa – e muitas vezes para si mesmo.
Preconceito cultural
A homofobia faz parte da cultura brasileira, conseqüência de uma época em que não se entendia bem sobre o assunto, acreditando ser um desvio mental ou uma falha na educação dos pais.
Hoje em dia, programas de televisão e as escolas não incentivam uma discussão inteligente sobre o assunto, deixando a homossexualidade à beira da marginalidade.
Na ficção brasileira, o homosexual é tratado como personagem cômico e cheio de tabus. Nas escolas, jovens homossexuais sofrem coação e são vítimas de piadas por parte de seus colegas, mas se mantém em silêncio por vergonha.
Ainda, algumas doutrinas religiosas defendem que a homossexualidade é pecado e condenada por Deus, colaborando ainda mais com o preconceito.
O mundo é gay
A expressão é velha e usada com bastante freqüência – principalmente pelos jovens. O grande número de casas noturnas e bares para o público GLS atrai cada vez mais heterossexuais, em busca de boa música e dos diferencias de serviços para atender ao exigente público GLS.
Provavelmente, em se tratando do Brasil, são alguns dos poucos lugares onde a comunidade LGBT e heterossexuais convivem em harmonia.
A luta contra a homofobia e o preconceito
A internet acabou com a ditadura “educativa” da televisão, possibilitando que as pessoas se informem através de diversas fontes. A homossexualidade já foi cientificamente provada que não é uma doença.
Paradas do Orgulho Gay tomam as ruas das cidades do país, dando visibilidade aos homossexuais – mas a tarefa não pode se resumir a um dia.
Diariamente a comunidade LGBT precisa lutar contra o preconceito e obter visibilidade. Leis que protejam os homossexuais são um grande passo social para o ínicio de uma mudança de postura.
Talvez, apenas com isso, seja possível – um dia – realizar alguma pesquisa que calcule de forma correta o público homosexual, deixando apenas uma pequena porcentagem para os poucos que preferem se manter no armário.
Enquanto isso, há muito chão e luta para a comunidade LGBT.





