Campos de futebol ou de guerra?

Jogos de futebol continuam sendo um grande palco para manifestações homofóbicas. Continue lendo

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por Redação em 23 de julho de 2009 às 22:15.

Não é novidade que o ambiente preconceituoso que gira em torno do futebol não é favorável aos gays.

O esporte é sinônimo de “macho” e se um heterossexual não gosta de jogar ou assistir futebol, ele é chamado de “veado”, “boiola” – como se os homossexuais fossem proibidos de gostar ou jogar futebol.

O São Paulo Futebol Clube é chamado do “time dos bambis”, fazendo referencia à constantes piadinhas sobre a sexualidade e postura dos jogadores – as vezes por uma simples questão de vaidade.

Semana passada o blog Mala Preta, do site MTV, publicou a matéria “Racismo é crime, mas homofobia pode”.

Assinada por Rafael Morettini, a matéria retrata um fato isolado ocorrido aos 20 minutos do segundo tempo, do jogo realizado na quarta-feira (16) onde o Atlético-MG venceu o São Paulo por 2 a 0.

Os 54 mil torcedores presentes na torcida do Atlético Mineiro não pouparam o jogador Richarlyson – constante alvo de especulações e piadas sobre sua sexualidade – que substituiu o jogador Zé Luis.

Ao entrar em campo, quando pegava na bola ou quando sofria faltas, o coro não hesitava em gritar “Bicha!” repetidamente.

A homofobia no campo de futebol

A homofobia no campo de futebol

Enquanto gritar “bicha” parece ser algo divertido para os torcedores, atitudes racistas não são bem-vindas – e é esse o outro ponto que a matéria aborda, ao relembrar a postura racista da torcida do Grêmio, em jogo realizado três semanas antes da partida Atlético-MG x São Paulo.

A postura racista foi repudiada pois é crime no Brasil e homofobia não, mesmo que ambas sejam manifestações preconceituosas e discriminatórias.

A homofobia alem de não ser crime, é algo cultural, principalmente em países com heranças tão religiosas quanto o Brasil.

Quem, quando criança, nunca ouviu “ser viado é feio, é errado, é pecado, homem tem que ser homem e gostar de mulher”? Nossa Redação ficaria extremamente satisfeita se alguém disser que nunca ouviu isso.

A homofobia não esta presente apenas nos campos de futebol brasileiros.

Recentemente a Federação Ugandesa de Futebol foi questionada pela FIFA sobre uma possível campanha contra jogadores gays.

Algumas atitudes chamaram ainda mais a atenção da FIFA, como a declaração feita por Charles Bakabulindi, o Ministro dos Esportes de Uganda, durante uma entrevista. Bakabulindi revelou que qualquer jogador ou técnico que estivesse envolvido em atos homossexuais seria afastado da seleção de futebol do pais.

A homossexualidade é ilegal em Uganda mas a FIFA não descarta a possibilidade de punir e excluir o pais, por atos homofóbicos, da Copa da África do Sul, que será realizada no ano que vem.

Enquanto isso na Alemanha, o pais onde surgiu o nazismo – um dos movimentos mais persecutórios a homossexuais –, o Presidente da Federação de Futebol do pais, Theo Zwanziger, foi homenageado por seu trabalho na luta contra a homofobia.

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