Homossexuais não devem seguir carreira militar, diz general
Declarações foram repudiadas por representantes LGBT. Continue lendo
por Redação em 04 de fevereiro de 2010 às 19:51. Última alteração em 08 de fevereiro de 2010 às 17:45.
A presença de homossexuais no exército brasileiro voltou a ser discutida nesta quarta-feira (3) durante audiência realizada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
O almirante Álvaro Luiz Pinto e o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho – candidatos à vaga de ministro no Superior Tribunal Militar (STM) – foram questionados sobre diversos assuntos. Os senadores Demóstenes Torres e Eduardo Suplicy levantaram a questão da homossexualidade nos quartéis.
Cerqueira Filho se manifestou contra homossexuais no serviço militar e citou diversos argumentos, inclusive que as atividades militares não são adequadas a homossexuais.
“A vida militar se reveste de determinadas características, de tipo de atividade, inclusive em combate, que pode não se ajustar ao comportamento desse indivíduo. A maior parte dos Exércitos do mundo não admite. Não é que o indivíduo seja um criminoso. Não sou contra o indivíduo ser [homossexual], cada um toma sua decisão. Se ele é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar.”
O general acrescentou que os militares homossexuais não conseguem comandar a tropa e devem manter a sexualidade em segredo mas reforçou que “não é compatível um indivíduo assim com o trabalho nas Forças Armadas.”
Álvaro Luiz Pinto disse não ver problema algum contanto que o “indivíduo mantenha a dignidade da farda“.
O escolhido para a vaga de ministro do STM decidirá sobre casos como o dos ex-sargentos Laci Araújo e Fernando de Figueiredo, que em 2008 assumiram o relacionamento dentro do exército e acabaram presos.
DIREITO DE RESPOSTA
Em nota oficial o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, repudiou as declarações do general Cerqueira Filho.
“É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras. A defesa do País tem de ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um.”
A presidente do carioca Grupo Arco-Íris, Gilza Rodrigues, também repudiou as declarações.
“É um disparate completo. Lésbicas, gays, travestis, transexuais e bissexuais podem e devem atuar em quaisquer atividades profissionais, inclusive a militar. Fico surpresa e indignada ao ouvir declarações como esta de um representante do alto escalão das Forças Armadas.”
O Grupo Gay da Bahia (GGB), representado pelo fundador Luiz Mott, enviou um comunicado oficial do Governo Federal se manifestando contra as declarações do general.
PAÍSES QUE ACEITAM HOMOSSEXUAIS NAS FORÇAS ARMADAS
Um levantamento realizado pela ILGA (International Gay Lesbian Association) aponta quais países aceitam homossexuais assumidos nos serviços militares. São eles:
África do Sul, Alemanha, Austrália, Áustria, Bahamas, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Eslovênia, Espanha
Estônia, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Israel, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Noruega, Nova Zelândia, Reino Unido, República Tcheca, Suécia, Suíça e Uruguai.
Nesta terça-feira (2) o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, revelou que será avaliada a possibilidade de anular a política “DADT – Don’t Ask, Don’t Tell (Não Pergunte, Não Fale)” do exército americano que, desde 1993, proíbe a presença de homossexuais nas Forças Armadas.
Robert Gates contou com o apoio do chefe do Estado Maior, Michael Mullen, e o presidente Barack Obama.
Estima-se que o governo americano já tenha gasto 500 milhões de dólares com a expulsão de militares que assumiram a homossexualidade. (Saiba mais em 66 mil homo e bissexuais estão no exército)

