Jornal do curso de farmácia da USP pede que joguem fezes em gays

A recompensa é entrar de graça em uma festa da faculdade. Continue lendo

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por Redação em 24 de abril de 2010 às 11:01 com informações G1. Última alteração em 24 de abril de 2010 às 11:05.

Dizem por aí que preconceito e discriminação estão presentes nas camadas menos instruídas da sociedade mas um jornal de alunos da USP provou mais uma vez que estão em todo lugar.

O Parasita, jornal dos alunos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, deu início à uma promoção homofóbica: quem jogar fezes em gays ganhará um convite de luxo para uma festa dos estudantes do curso – a Festa Brega de 2010.

Texto homofóbico no jornal de alunos de farmácia da USP, 'O Parasita' (Foto: Reprodução/G1)

Texto homofóbico no jornal de alunos de farmácia da USP, 'O Parasita' (Foto: Reprodução/G1)

No texto assinado por Joãzinho Zé-Ruela – um dos nove nomes no expediente do jornal – o desafio é uma resposta contra dois alunos gays que se beijaram em festas da faculdade.

“Lançe-merdas e Brega será na Faixa. Ultimamente nossa gloriosa faculdade vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis. Ano passado, tivemos o famoso episódio em que 2 viadinhos trocaram beijos em uma festa no porão de med. Como se já não bastasse, um deles trajava uma camiseta da Atlética. Porra, manchar o nome de uma instituição da nossa faculdade em teritório dos medicus não pode ser tolerado. Na última festa dos bixos, os mesmos viadinhos citados acima, aprontaram uma pior ainda. Os seres se trancaram em uma cabine do banheiro, enquanto se ouviam dizeres do tipo “Aí, tira a mão daí.” Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA. Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010. Contamos com a colaboração de todos,” assinou Joãozinho Zé-Ruela no jornal acadêmico O Parasita dos meses de março e abril.

REAÇÃO
A defensora pública Maíra Diniz, coordenadora do núcleo de combate à discriminação, racismo e preconceito, informou à redação do portal G1 que a Lei Estadual 10.948 de combate à homofobia foi infringida.

O coordenador para Políticas de Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, Dimitri Sales, afirmou que prestará queixa contra O Parasita na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

A assessoria da USP – através de e-mail encaminhado à redação do portal G1 – também se pronunciou sobre o assunto.

“A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) não tem conhecimento nem apóia essa publicação, inclusive desconhece os seus autores. A Faculdade tomará as medidas jurídicas cabíveis para reprimir este tipo de publicação.”

Os responsáveis pelo jornal ainda não se manifestaram.

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