Myrian Rios tenta se desculpar por associar homossexualidade à pedofilia
Associações LGBT devem denunciar a deputada. Continue lendo
por Redação em 28 de junho de 2011 às 14:58. Última alteração em 28 de junho de 2011 às 15:46.
A ex-atriz e deputada estadual Myrian Rios (PDT-RJ) foi o assunto da vez após associar homossexualidade com pedofilía.
No vídeo abaixo, gravado durante reunião no plenário na ultima terça-feira (21), e divulgado na sexta-feira (24), Myrian se posiciona contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 23/2007) – projeto que propõe acrescentar a orientação sexual como uma das formas de discriminação da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.
“Digamos que eu tenha duas meninas em casa e contrate uma babá que mostra que sua orientação sexual é ser lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. Vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas. E eu não vou poder fazer nada”, revela Myrian Rios.
Depois de toda a polêmica, a deputada divulgou uma nota no final desta segunda, dia 27, pedindo desculpas por seu discurso na tribuna da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) onde insinua que uma babá gay poderia praticar pedofilia contra suas filhas.
“Iniciei meu discurso relatando minha condição de católica, missionária e, como tal, prego o respeito, o amor ao próximo e o perdão. Repudio veementemente o pedófilo e jamais tive a intenção de igualar esse criminoso com o homossexualismo [sic]. Se entenderam desta maneira, peço desculpas. Conto na minha família com parentes e amigos homossexuais e os amo. Da mesma forma, repudio a agressão aos homossexuais, pois nada justifica tamanha violência. Votei contra a PEC-23 por minhas convicções e não contra este ou aquele segmento de determinada orientação sexual”.
O coordenador do programa Rio Sem Homofobia e militante LGBT Cláudio Nascimento, rebateu as declarações da deputada.
“Ela precisa se atualizar e ler um pouco mais sobre sexualidade e crimes de pedofilia. A visão religiosa a cegou. Todos os dados hoje apontam que quase 100% dos casos de pedofilia são com heterossexuais. Então, ela não tem que se preocupar em contratar um gay. Tem que se preocupar com a babá, o motorista, os namorados e amigos heteros dela”. E completa: “Quando alguém vai contratar, não pode perguntar a orientação sexual, porque o que importa é se a pessoa tem formação e experiência para o cargo. É uma pena vir de uma deputada um pensamento tão medieval”, critica.
Associações brasileiras de defesa dos direitos LGBT pretendem denunciá-la à Comissão de Ética da Alerj.





