por Redação em 24 de setembro de 2009 às 13:16 tradução de matéria publicada em 24 de setembro de 2009 pela Associated Press (AP) - http://www.ap.org/.
Pela primeira vez, uma vacina experimental impediu a infecção pelo vÃrus da AIDS – um acontecimento marcante e um resultado surpreendente. Alguns fracassos recentes levaram os cientistas a acreditarem que uma vacina de prevenção fosse impossÃvel.
A Organização Mundial de Saúde e a agência da ONU UNAIDS disseram que os resultados “trazem nova esperança” no que diz respeito à s pesquisas de vacinas contra o HIV.
A vacina – resultado da mistura de duas anteriores que não obtiveram sucesso – impediu o risco de infecção pelo HIV em mais de 31% dos voluntários em um dos maiores testes de vacina contra a AIDS já realizados – com 16 mil participantes na Tailândia. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (24).
Mesmo com um resultado modesto, “é a primeira evidência de que podemos ter uma vacina preventiva que seja segura e eficiente,” revelou Jerome Kim para a Associated Press. Ele ajudou a conduzir o estudo junto ao Exército americano, que patrocinou em parceria ao Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID).
O diretor do NIAID, o Dr. Anthony Fauci, ressaltou que este “não é o fim da jornada”, mas disse que ficou surpreso com a descoberta.
“Me dá um certo otimismo sobre a possibilidade de melhorar os resultados” e desenvolver uma vacina da AIDS mais eficiente, disse Fauci. “É algo que podemos fazer”.
O Ministério de Saúde Pública da Tailândia conduziu o estudo, que utilizou microorganismos de HIV comuns na Tailândia. Os cientistas salientaram que é incerto o resultado da vacina nas variações do vÃrus encontradas em outras partes do mundo.
O simples fato de ter uma vacina que funciona de forma parcial, já representa um grande avanço. Aproximadamente 7.500 pessoas são infectadas pelo HIV diariamente; 2 milhões morreram em 2007 segundo estatÃsticas da UNAIDS.
“Hoje é um marco histórico”, disse Mitchell Warren, diretor executivo da AIDS Vaccine Advocacy Coalition, uma entidade internacional que trabalha no desenvolvimento de vacinas contra o vÃrus.
“Levará tempo para analisar e compreender os dados completamente, mas não há dúvidas que essa descoberta vai dar um novo ânimo e direcionamento à s pesquisas de vacina contra a AIDS,” disse em comunicado oficial.
O estudo experimentou a combinação de duas vacinas que agem de forma inédita, na qual a primeira faz com que o sistema imunológico ataque o HIV e a segunda fortaleça a resposta do organismo.
As vacinas são a ALVAC, da Sanofi Pasteur, divisão de vacinas da farmacêutica francesa Sanofi-Avents; e a AIDSVAX, originalmente desenvolvida pela VaxGen Inc. e agora detida pela Global Solutions for Infectious Diseases – uma organização sem fins lucrativos fundada por alguns ex-funcionários da VaxGen.

Os nÃveis de infecção pelo HIV diminuÃram em 31% dos voluntários
A ALVAC usa canarypox – um vÃrus encontrado em aves que foi alterado para não causar doenças no ser humano – para levar ao corpo versões sintéticas de três genes do HIV. A AIDSVAX contém uma versão geneticamente modificada de uma proteÃna encontrada na superfÃcie do HIV. As vacinas não são elaboradas com o vÃrus completo – vivo ou morto – e não podem causar infecção pelo HIV.
No inÃcio dos estudos nenhuma das vacinas conseguiu prevenir individualmente a infecção pelo HIV, consideradas pelos cientistas, em 2003, como uma grande perda de tempo.
“De fato eu não tinha esperança alguma que terÃamos um resultado positivo,” admitiu Fauci.
Os estudos provaram que os céticos o contrário.
“A combinação é mais forte que cada elemento isolado,” disse Kim, um médico que gerencia o programa do Exército de vacinas contra o HIV.
Os estudos testaram a vacina em homens e mulheres tailandeses HIV negativos, de 18 a 30 anos, com um médio risco de infecção pelo vÃrus. A metade recebeu quatro doses de ALVAC e duas doses de AIDSVAX durante seis meses. Os demais receberam injeções de placebo. Ninguém sabia os resultados até o final dos estudos.
Thanad Yomha, uma eletricista de 33 anos de idade do sudeste da Tailândia, disse que não esperava nada em troca ao participar dos testes.
“Eu fiz para os outros,” disse Thanad. “É para a próxima geração.”
Todos receberam preservativos, aconselhamento e tratamento para doenças sexualmente transmissÃveis, e foram testados para HIV a cada seis meses. Qualquer um que contraÃsse o vÃrus, receberia tratamento gratuito com medicamentos antivirais.
Os participantes foram acompanhados por três anos após o fim das vacinas.
Os resultados: Novas infecções foram identificadas em 51 dos 8.197 que receberam a vacina e em 74 dos 8.198 que receberam o placebo. Os estudos apontam que a vacina reduziu o risco de infecção para 31% dos participantes. Dois dos participantes infectados, que receberam a dose de placebo, morreram.
A vacina não teve efeito sobre os nÃveis de HIV no sangue dos que estão infectados. Este era um outro objetivo do estudo – avaliar se a vacina poderia limitar os danos ao sistema imunológico e ajudar as pessoas infectadas para que parassem de produzir o vÃrus.
O resultado é “uma das mais importantes e intrigantes descobertas do estudo,” disse Fauci. Ela sinaliza que talvez ainda não seja uma vacina válida para proteger o organismo.
“É compreensÃvel que ainda não conseguimos identificar” o que representa para a imunidade, o que se torna “importante e humilhante” depois de décadas de estudos sobre uma vacina, disse Fauci.
Os detalhes sobre o estudo de US$105 milhões serão revelados durante uma conferência em Paris, no mês de outubro.
Este é o terceiro grande estudo sobre vacinas desde 1983, quando o HIV foi identificado como o causador da AIDS. Em 2007, a Merck & Co. interrompeu um estudo de uma vacina experimental após perceber que não conseguia prevenir a infecção pelo vÃrus. Algumas análises seguintes apontaram que a vacina podia até aumentar o risco de infecção em alguns homens. A vacina em si não causava a infecção.
Em 2003 a AIDSVAX foi reprovada em dois grandes estudos – a primeira fase de possÃveis vacinas contra a AIDS realiza na época.
Ainda não se sabe se os fabricantes vão querer a patente da combinação das vacinas. Antes de iniciar os estudos na Tailândia, a Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) comunicou que outros experimentos precisariam ser realizados para que a vacina seguisse para o licenciamento nos Estados Unidos.
“Esta é a primeira vez no mundo em que uma vacina de prevenção se torna possÃvel,” disse o Dr. Supachai Rerks-Ngarm, do Ministério da Saúde da Tailândia, que supervisionou o estudo. “Mas ainda não estamos no ponto de fabricar ou licenciar a vacina.”
De acordo com Kim, a produção em massa da vacina e como proceder em estudos futuros, serão discutidos junto com os governos que apoiaram os estudos e as empresas envolvidas nos experimentos. Os cientistas querem saber quanto tempo a proteção pode durar, se doses de reforço serão necessárias, e se a vacina ajudará na prevenção de homossexuais e usuários de drogas injetáveis, já que foi testada em uma maioria formada por heterossexuais.
Os estudos foram realizados na Tailândia pois o Exército americano fez vários estudos quando a doença emergiu no paÃs, isolando microorganismos do HIV e oferecendo informação genética para os fabricantes de vacinas. O governo tailandês apoiou fortemente o estudo.
Comente
[...] This post was mentioned on Twitter by Nana. Nana said: RT @dolado: Pela primeira vez vacina ajuda na prevenção contra o HIV http://bit.ly/nDLCg [...]
[...] melhor notÃcia de setembro veio da ciência: pela primeira vez, uma vacina demonstrou ter efeitos consideráveis na prevenção do contágio por HIV. A taxa de 31% de sucesso surpreende, mas ainda é cedo para [...]
Um trabalho incrÃvel tem sido feito para acabar com a homofobia nos esportes. Essa é uma parte de mim que amo. Gosto de ser conhecido como gay. Eu enxergo como algo positivo ser conhecido como tal.
2009-2010 - dolado © Todos os direitos reservados