‘Finalmente me senti em casa’, diz Madonna sobre primeira visita à uma boate gay
Cantora fala sobre a influência do professor gay de balé na sua vida e carreira. Continue lendo
por Redação em 03 de maio de 2010 às 16:26. Última alteração em 03 de maio de 2010 às 16:35.
A cantora Madonna é capa mais uma vez da revista americana Interview que, além do ensaio, traz uma nova entrevista com a cantora.
Quem conversa com a cantora é o cineasta Gus Van Sant, diretor do filme Milk, A Voz da Igualdade onde o ator Sean Penn – e ex-marido de Madonna – interpreta o militante gay Harvey Milk.
Durante a conversa, e em meio ao assunto Milk, Madonna é questionada se frequentava o Castro – importante bairro de São Francisco (Califórnia) na luta pelos direitos LGBT - e conta como se sentiu em casa ao frequentar pela primeira vez uma boate gay e o terror da AIDS no início dos anos 80.
“Eu ia [ao Castro] quando era mais nova. Mas sabe, o que mexeu comigo no filme foram os meus primeiros dias em Nova York e do momento em que cheguei, você sabe, com Andy Warhol e Keith Haring e Jean-Michel Basquiat e Kenny Scharf. Era tudo tão vivo com artes e política e esse espírito incrível. Tantas dessas pessoas já faleceram. Acho que é um dos motivos que me fez chorar.”
“Na verdade, o papel que Richard E. Grant interpreta no filme que dirigi, Filth and Wisdom, é um professor cego inspirado no meu professor de balé, Christopher Flynn. Cresci em Michigan, não fazia idéia do que era um gay. Ele foi o primeiro homem, primeiro ser humano, que me fez sentir especial e bem comigo mesma. Ele foi a primeira pessoa que disse que eu era bonita ou que tinha algo para oferecer ao mundo, e me encorajou a seguir meus sonhos, ir a Nova York. Ele era uma pessoa muito importante na minha vida. Ele morreu de AIDS, mas ficou cego apenas no final de sua vida. Ele era um grande amante da arte, música clássica, literatura e ópera. Sabe, eu cresci no interior, e foi por causa dele que tive contato com muitas coisas.”
“A primeira vez que fui à uma boate gay foi com ele, em um club em Detroit. Eu sempre me sentia uma estranha e achava que havia algo errado comigo pois não me encaixava em nenhum lugar. Mas quando ele me levou a essa boate, eu estava em um lugar onde finalmente me senti em casa. Então o personagem de Filth and Wisdom foi inspirado e dedicado a ele. Não sei porque estou ressuscitando esse monte de coisas, mas acho que tem a ver com aquele universo em Michigan e a trajetória da minha vida: depois de ir para Nova York e virar dançarina enquanto toda a epidemia de AIDS surgia e ninguém sabia o que era. E de repente, todos aqueles homens lindos ao meu redor, pessoas que eu amei demais, simplesmente morriam uma após a outra. Foi um período muito maluco. Ver o mundo surtar e a comunidade gay ser muito marginalizada. Mas também foi o início da minha carreira… Não sei. Seu filme realmente mexeu comigo e me fez lembrar de todas essas coisas. É uma época que acho que poucas pessoas captaram no filme. É uma época em que não se falava sobre muitas coisas. E mesmo com muita morte, para mim, Nova York estava tão viva.”
A entrevista na íntegra e o ensaio assinado por Marcus Piggott e Mert Alas estão no site oficial da Interview.


